13 julho 2008

E tudo não passava de crenças!

Teresa Amorim
Há algum tempo atrás fui convidada a ministrar uma acção do curso Formação Pedagógica Inicial de Formadores com 110 horas de duração.
Esta é uma área em que estou à vontade e que gosto muito de trabalhar.
Nessa época eu já tinha feito o Practitioner e estava quase a concluir o Master em Programação Neurolinguística. Já tinha integrado os conhecimentos do Practitioner e estava a aprender novas técnicas no Master.
Por acreditar no extraordinário potencial que a PNL possui enquanto ferramenta do desenvolvimento do potencial humano, resolvi que iria introduzir alguns conceitos e técnicas da PNL na formação que iria ministrar.
Quando recebi a lista dos participantes do curso, vi que seria um grupo homogéneo. O grupo era constituído por 11 profissionais de diversas áreas (arquitectura, direito, biologia, psicologia, engenharia alimentar, letras, recursos humanos) e com idades que variavam entre os 22 e os 54 anos.
Desde o início acreditei no potencial do grupo, mesmo antes do 1º dia de formação eu acreditei que iríamos formar um sistema equilibrado. Que o processo de ensino-aprendizagem iria fluir naturalmente e que eu também iria aprender muito com eles.
E assim, com esta crença positiva eu iniciei o curso. Desde o começo consegui estabelecer um bom rapport com grupo e a formação foi fluindo naturalmente.
Comecei a introduzir alguns conceitos e pressupostos ao longo do meu discurso e o grupo gostava e perguntava o significado. Fui explicando sem dizer que era PNL.
Quando abordei a importância do planeamento na formação eu utilizei a Estratégia de Criatividade Disney e foi simplesmente genial. Me vi diante de 11 Walt Disneys! O grupo participou activamente e deu um show de criatividade. No final da sessão tínhamos reunido projectos de formação incríveis.
Eu estava muito motivada porque estava a ver, sentir e ouvir a evolução que os meus formandos estavam a ter com a ajuda da PNL.
Nessa época eu ainda estava fazendo o Master e numa das sessões partilhei com o grupo os resultados que estava a conseguir com a PNL na formação. Contei da magia que estava acontecendo a cada sessão e como especificamente eu estava utilizando a PNL, quais as técnicas que eu tinha adequado aos conteúdos das sessões. O grupo ouviu com entusiasmo e elogiou o meu trabalho. O meu entusiasmo e paixão pela PNL foram contagiantes para quase todo o grupo. Digo quase, porque houve uma pessoa que me perguntou: “Mas você está a dar um curso de Formação de Formadores ou um curso de PNL?” Ouvi a questão, não gostei mas tentei ver a intenção positiva. No mapa daquela pessoa a PNL e a formação que eu estava a dar eram coisas distintas e ela não conseguia entender o que eu estava fazendo. Conclui que se tratava de uma crença limitante dessa pessoa.
Continuei acreditando no poder da PNL e fui “turbinando” as sessões do curso com as técnicas da PNL.
Depois da autoscopia inicial fiz um trabalho de levantamento do sistema de crenças e conseguimos trabalhar as crenças limitantes, substituindo-as por crenças fortalecedoras. Não mais ouvia ninguém do grupo dizer: “Eu não consigo falar em público”, “Não tenho jeito para isso..”
Era mágico ouvir os meus formandos nos debates a dizer: “No meu mapa..”, “ Nós já possuímos todos os recursos que precisamos para…”
O feedback que eu recebia deles era bastante positivo. Uma formanda disse-me que os seus amigos e familiares já notavam a diferença e que ela sentia-se mais confiante até no trabalho. Tudo isso só contribuía para fortalecer a minha crença na PNL.
Nas autoscopias finais os meus formandos deram um show de confiança, empenho e as performances pedagógicas foram muito boas.
Encerramos o curso em grande, com os objectivos alcançados e as expectativas deles e as minhas superadas.
Dias depois recebi um mail de uma das formandas que me deixou emocionada. Ela dizia:
“A minha experiência como formanda no curso de Formação Inicial Pedagógica de Formadores, nos últimos dois meses, permitiu-me experimentar um estado de satisfação pessoal completamente inesperado. Quando me falavam do curso e me incentivavam a participar, hesitei muito, pois sentia-me incapaz perante as minhas limitações pessoais. Sentia-me insegura sempre que tinha que falar em público e mesmo que dominasse o assunto, o nervosismo impedia-me de o demonstrar. Para o combater, fui caminhando com as bengalas da arrogância, da distância e do autoritarismo que apenas me afastavam do meu objectivo – construir relações de confiança.
À medida que os dias passavam e eu participava nas sessões de formação, quase sem me perceber, eu crescia interiormente; uma confiança e segurança interiores estranhas dominavam o meu quotidiano e fui-me questionando sobre o que estava a mudar em mim.
Lembro-me que as reuniões com os clientes começaram a fluir de outra forma, sentia-me capaz de os ouvir e de os aconselhar serenamente, mesmo quando tinha que lhes transmitir soluções e informações para as quais eles não estariam preparados.
Com a família e com os amigos percebi que tudo depende da nossa “disponibilidade para o outro” e que se estivermos disponíveis, seremos muito mais felizes e muito mais úteis.
Tudo isto, eu fui apreendendo durante o curso de Formação Inicial Pedagógica de Formadores e embora sem consciência de que o trabalho que estávamos a desenvolver tinha na sua base a PNL, foram nos sendo sugeridos conceitos e técnicas, que nos aproximavam desse processo e pudemos perceber que a mente, o corpo e a linguagem operam entre si para criar a representação intelectual que cada indivíduo tem do mundo e que essa representação pode ser alterada utilizando métodos e técnicas, visando principalmente o desenvolvimento pessoal.”


Afinal, tudo não passava de crenças!

2 comentários:

Noscilene Santos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Noscilene Santos disse...

Teresa, lendo o seu artigo,retornei àquela belíssima apresentação no Camp em Mendes-RJ-Br. Parabéns! difundir os conceitos e técnicas da PNL é uma maneira gratificante de compartilharmos nossas próprias experiências. As crenças são poderosas e quando conseguimos identificar a intenção positiva que há por trás, avançamos várias casas em direção aos nossos ideais.